...

...

domingo, 9 de agosto de 2009

Da loucura consciente do self-herói

Tenho um grande sentido de apreço pela personagem criada e entitulada de Salvador Dalí. Antes do artista, tecnicamente brilhante (admito que alguns não gostem da sua estética mas a técnica é inegável), havia o homem cuja profissão era ser marketeer de si próprio. Fabricou meticulosamente sobre sí, uma imagem de louco lúcido, de génio excêntrico que, sabia ele bem, era isso o surrealismo. Auto nomeou-se Avida Dollars, trocando as letras do seu nome. Abafou, sem dó, os demais surrealistas. Dizia ele, sem pouca verdade, "a única diferença entre um louco e eu, é que eu não sou louco". A sua loucura era bem consciente. Uma frase sua que o revela como estratega e publicitário da sua imagem dizia mais ou menos isto: "Quando estou no meio dos surrealistas digo bem alto - Tenho que ir, vou ter com os aristocratas.- e quando estou no meio dos aristocratas digo - Tenho que ir, vou ter com os surrealistas." Aproveitava-se, assim, da falta de liberdade de circulação entre os dois mundos... A verdade é que com ou sem o peso da sua bem montada estratégia de marketing, Dalí deixou obra notável. Sempre actual e despolitizada, mais ainda quando analisada à época da sua realização. Tenho para mim que, antes de Warhol e Liechtenstein, Dalí inventou a Popart, trazendo para a ribalta objectos do quotidiano e figuras populares como a garrafa de Coca Cola ou a cara do Lincoln (melhor vista a 20 mts). Também tenho para mim que, não sei onde é que o arranjou, mas Dalí já tinha um computador equipado com AUTOCAD! Ver Dalí aqui.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Da camera, da cor, da arte

Hoje uma foto....

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Do Sócrates e dos povos que não lavam no rio

Há dias Sócrates alinhou na blogconf e foi responder a 20 bloguistas nacionais. Uma das suas teorias deixou-me indignada pela proximidade aos factos... A Tomás Belchior da Ruadireita filosofava Sócrates, com um ar de gozo incrível, sobre a Irlanda e a sua situação de contas públicas arrasadoras (e nós que a tínhamos em tanto respeito!) e sobre as medidas aplicadas pelo governo. Indagava Sócrates: "Como é que um Governo, perante a situação actual, chega à Câmara dos deputados para rectificar o Orçamento com duas medidas, e únicas, apenas: aumentar os impostos aos trabalhadores e diminuir os salários dos funcionários público? É obra.." Ora, pergunto-me, como é possível? E respondo. Que isso se consegue (não sem oposição política) quando se governa um povo que não faz da crítica gratuíta modo de vida, que confia no outro (nos políticos) como se o mundo fosse mesmo uma "aldeia" (que os vendedores de biblias ainda não descobriram) e, um povo ciente que os seus bolsos recentemente recheados de euros iam um dia romper com o peso... Também, qual era a alternativa? Se o Governo mexe-se com as empresas, maioritariamente investimento estrangeiro que se aproveita da única vantagem competitiva do país (baixos impostos) elas davam todas ao slide! Posta esta mescla e com os olhos postos nos países do Norte, onde a confiança e a apatia política abundam, fico com dúvidas. E penso que importa perguntar: Governa melhor um Governo que sabe governar ou um Governo que governa um povo que se deixa governar?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Do ser, do estar, da moral

Desde a superioridade monetária, à de conhecimento, à relacional, à moral, toda a gente tem uma espécie de superioridade eleita que a faz mover e dá jeito sacar aquando de uma conversa (in)formal. E em direito estabelecida. Para mim, faz sentido. Cada qual tem de se fazer valer psicologicamente dos seus pontos fortes para ter sustentabilidade social. Algumas das superioridades são bem toleráveis, principalmente se consistentes e bem arquitectadas. Mas, se há que escolher a superioridade mais irritante, escolho, de longe, a superioridade moral. Porquê? Acredito que é superior ser moralmente bem apetrechado mas, sendo a superioridade um superlativo, só tem sentido em termos de comparação. É precisamente esse o ponto de inflexão! É que, não raras vezes, a pessoa moralmente superior cai no erro de colocar na escala, comparar, a sua moralidade com a dos outros! Salvo as devidas excepções, o resultado dessa comparação toma a forma de crítica. Mas crítica não assumida já que de moralidade se trata! Que piora quando o objecto da comparação é bem definido e direccionado! No fundo o que torna esta superioridade diferente das outras é a falta de legitimidade: afinal o que é a moral?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Do elogio e da loucura

"Sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero." (Pierre Beaumarchais)

Voltando à infância. Uma rotina mais ou menos semanal que tinha era ir com o meu pai levar a mãe ao trabalho e passar pela papelaria Contraste, onde o meu pai comprava o Comércio do Porto e eu Uma Aventura. Depois ficava no carro até ao meio dia ou até que a aventura acabasse. Era tal o prazer que retirava daquelas letras que um dia resolvi enviar uma carta à Isabel Alçada e à Ana Maria Magalhães. Foi por ventura o primeiro elogio que fiz. Não falo do elogio social, do que fica bem. Falo do reconhecimento de que alguma coisa que nos dá prazer deve ser frontalmente reconhecida. Não na perspectiva ingénua de que esse elogio possa mudar alguma coisa mas para dizer que eu que estou aqui sou o teu público, eu gosto do que fazes! E ir directo à questão e à pessoa. Ultimamente elogiei a Joana Vasconcelos pela sua obra, os criadores das 7 maravilhas dos Portugueses no mundo, os criadores da La.Ga bag... todos portugueses, todos criativos, todos originais... O elogio é uma prática que aconselho. Despretencioso. Com ou sem crítica. A título de incentivo aos mais cépticos devo dizer - o elogio tem sempre resposta.
Quanto àqueles com quem tenho o privilégio de privar a história é outra. A palavra falada não é o meu cup of tea...! Mil desculpas e a promessa prometida de lhes criticar (frontalmente) os defeitos por lhes não ignorar as qualidades...
Um elogio aqui.

domingo, 2 de agosto de 2009

Dos números, do Siza, de Nietzsche

Idas vão as aulas de ciências sociais onde se repetia, entre outras, a ideia de que as ciências (sociais) não se querem sozinhas, isoladas em compartimentos estanques, alheadas dos progressos da demais - deviam ser interdisciplinares. Mais tarde, no bom tempo de Miranda, conheci o Jorge. O Jorge estudou arquitectura, adorava matemática e por circunstâncias da vida, fechou-se um dia no quarto a ler filosofia. Esteve lá cinco anos. Apesar de não ser arquitecto nem matemático nem filósofo, o Jorge gosta de produzir. Arte. Faz arte com essas três disciplinas na cabeça. E que bem a faz. Um dia mostrou-me que tinha inventado um sólido que não existe (Dodecaedros) e uma sucessão que, resolvida, concluia que um número é diferente do próprio número. É complicada de perceber esta arte do Jorge. São precisas largas horas de boa concentração de tão abstrata que se torna a questão... O propósito de trazer aqui o Jorge é o de que ele é a prova provada dessa interdisciplinaridade. De que as disciplinas solitárias parecem cada vez mais vazias de conteúdo. Tendem a especificar-se. Bolonha pareceu-me ser a operacionalização dessa quebra de paradigma. A saída do armário da interdisciplinaridade. Presa que esteve nos gabinetes académicos. Talvez esta seja a verdadeira revolução cultural do século actual... A ver vamos!
Obras do Jorge na incomunidade
aqui.

sábado, 1 de agosto de 2009

Da credibilidade das fontes e outras formas de ver televisão

Não há tantos anos assim, conheci a Liana, de Biana (que em Viana assim se diz Liliana), que tinha um tique de personalidade incrível. Enunciava exactamente com os mesmos gestos, a mesma entoação, o mesmo olhar, algo lido na Enciclopédia Larousse ou na secção Ele e Ela da revista Maria, algo escutado nas aulas do Professor António Fidalgo ou apreendido nas tardes da Júlia. Exactamente igual! Era incrível como aqueles olhos azuis, cheios de expressividade e confiança, nos tentavam a seguir um caminho que nunca sabiamos onde ia parar. Na mesma época, no café onde todos os dias iamos tomar o devido depois de jantar, a Dona Ester dizia repetidamente: "Pois ele dizia as verdades! Mandaram-no embora! Claro!" para se referir ao facto de o Marcelo Rebelo de Sousa ter saído da TVI como comentador. Também, nessa época a TVI fez uma reportagem sobre um menino do Interior que era pastor e tinha como sonho ver o Estádio da Luz. Apelo que a própria não podia negar e baita de bombardear o Jornal Nacional com a reportagem como se de uma notícia real se tratasse. Não raras vezes ouvi a Dona Ester, referindo-se a essa reportagem, dizer: "Este é que é o país real!". Não censuro, nem o podia fazer. São conhecidos os números da vertiginosa produção de informação actual. Talvez esteja na hora de informar que o que aparece na Maria e no Telejornal obedece a uma série de critérios que nada têm a ver com a genuina vontade de informar; que, assim queiram as Novas Oportunidades, e a Dona Ester aprender a navegar na web, o que encontrar na respeitada Wikipédia nem sempre é de fiar; que os sítios com blog no nome, não são mais que opinião pessoal (ahhhh!); que os livros e os jornais não têm todos o mesmo valor (ainda que ler faz sempre bem!) e que os comentadores políticos da televisão não são um Deus bem falante, mas sim uma argumentação relativamente bem informada na defesa das crenças e interesses pessoais. Até dói, D. Ester! Quanto à Liana, arranjou-se solução! Solução essa que foi bem aceite por ela e que melhorou a nossa comunicação (ainda que só por uns meses). Sempre que arregalava os olhos azuis, brilhantes, plenos de quem vai dizer uma verdade absoluta...Stop! Pára aí! Pára. Onde é que leste isso? Ok. Podes continuar...


.

etiquetas

indagações, indignações, imbecilidades

sentimentos de uma ocidental